A aproximação do ano 2000 tem dado motivo para que sociólogos,

historiadores, futurólogos, e teólogos pensem no futuro ...

e mais especificamente para que os cristãos considerem a natureza e

o aspecto da Igreja no século XXI.

 

SEGUINDO RUMO AO SÉCULO XXI COM ESPERANÇA

por Denton Lotz

 

OS MISSIÓLOGOS NOS DIZEM que as decisões e direções tomados na última década antes da virada de um século são determinantes para a Igreja no século seguinte. Em 1792 William Carey foi para a Índia como um missionário e sensibilizou o Protestantismo para sua responsabilidade de tomar com seriedade a natureza missionária da Igreja e consequentemente de evangelizar o mundo inteiro. Os anos 1800 e 1900 viram uma expansão da Igreja Cristã da Europa e América do Norte para todo o mundo.

Em 1892 o The Student Volunteer Movement for Foreign Missions (Movimento Voluntário Estudantil para Missões Estrangeiras) capturou toda uma geração dos "melhores e mais brilhantes" para trabalhar em conjunto, além das fronteiras denominacionais, para a evangelização do mundo nesta geração. A Igreja ao redor do mundo e as várias expressões de movimento ecumênico retrocedem até este período de início do movimento estudantil.

QUESTÕES QUE SE APRESENTAM

DIANTE DA IGREJA DO FUTURO

Qual é o desafio para a Igreja no ano 2000 ao entrarmos no novo século? A Igreja no passado era bem sucedida quando tomou com seriedade as questões colocadas diante dela pelo mundo. Cada geração de cristãos deve lidar com problemas peculiares e existenciais que se apresentam diante da sua sociedade se for um testemunho efetivo para o Reino de Deus. Os problemas que se apresentam diante da Igreja nos dias de hoje irão se multiplicar ao entrarmos no século XXI. Uma lista rápida desses problemas e questões será suficiente para mostrar a enormidade da missão da Igreja no futuro. Essas questões incluem:

1. JUVENTUDE: Existe uma geração de pessoas jovens crescendo na Europa que está alienada das tradições cristãs, mesmo que declarando ser defensora dos frutos e objetivos do Cristianismo: igualdade, direitos humanos e liberdade. Como comunicaremos o evangelho a essas pessoas jovens?

 

2. DENOMINACIONALISMO: Confrontados com um mundo secular crescente que é hostil à fé cristã, muitos crentes sentem que o denominacionalismo esteja ultrapassado e que a unidade da Igreja deva ser nosso objetivo. A questão permanece: Qual é o futuro da denominação à qual pertencemos.

3. A ECONOMIA MUNDIAL: As nações ricas do hemisfério norte e as nações pobres do hemisfério sul estão em rota de colisão. Que papel a Igreja irá desempenhar para influenciar uma distribuição mais justa dos recursos mundiais?

4. AS QUESTÕES AMBIENTAIS: O aquecimento global e mudança climática podem parecer remotos para alguns, mas na realidade todos nós estamos afetados pelas questões ambientais. A destruição das florestas tropicais, a destruição das fontes de madeiras de lei, tudo isso afetará o tipo de mundo no qual vivemos. Tem a Igreja um papel a desempenhar na salvação do meio ambiente?

5. O RACISMO E O ETNO-CENTRISMOS: Com o fim da guerra fria e do conflito entre o Marxismo e o Capitalismo, um velho e também novo fenômeno tem levantado sua feia cabeça: o racismo. Os recentes fatos na Europa têm evidenciado isto: O conflito entre bósnios e sérvios, azerbaijanianos contra armênios, os "skinheads" (cabeças raspadas) alemães contra os trabalhadores visitantes oriundos da Turquia, a França contra os seus cidadãos norte-africanos. Similarmente a estes problemas na Europa estão o racismo e o etno-centrismo ao redor de todo o mundo. Não somente o conflito tribal entre os Hutus e Tutsis em Ruanda, mas o racismo entre brancos e negros na América do Norte são exemplos deste problema mundial. Como podem os cristãos trabalhar para trazer reconciliação e harmonia?

6 A RESSURGÊNCIA DE RELIGIÕES MUNDIAIS: O movimento missionário cristão ao redor do mundo é crescentemente confrontado com o desafio das religiões mundiais em suas próprias sedes. As mesquitas agora apontam para os céus de Paris, Londres e Frankfurt. O Islão está fazendo progresso na Europa secular, assim como também o Hinduísmo e o Budismo. Porque a Europa secular tem rejeitado o evangelho somente para abraçar outras religiões?

7. O SECULARISMO: O Secularismo afirma que o homem pode viver sem Deus. Esta filosofia é basicamente ateísta no seu caráter e tem, imperceptivelmente, influenciado os governos europeus e norte-americano, e as populações livres. Em nome da tolerância, a mídia de massa às vezes parece ser anti-cristã. Tem a Igreja uma alternativa? Como comunicamos o evangelho a um movimento jovem secular e crescentemente alienado?

 

CARACTERÍSTICAS DA

IGREJA DO FUTURO

Quando os historiadores olham para trás, para a última década do século XX e das conseqüentes decisões e direções tomadas pela Igreja, às portas do século XXI, que características dos anos 1990 eles verão como tendo sido determinantes para a Igreja do século XXI? Para fazer face ao desafio dos problemas e questões anteriormente citados, a Igreja do futuro deve adaptar-se e apresentar as seguintes características:

1. A RENOVAÇÃO DA ADORAÇÃO: A adoração integra a vida da Igreja. Entretanto, adoração formal, morta, não falará à nova geração de "buster" e "Xers". A adoração na cultura sensata dos anos 1990 necessitou encontrar o nível emocional e sensível das gerações mais novas.

O movimento carismático tem tido um efeito positivo em fazer com que líderes missionários e de igreja mudem a maneira pela qual adoramos. Não demorará muito para que as reuniões de adoração se limitem a um hino, uma oração e um sermão. Ao invés disso, a adoração será um fenômeno experimental de toda a Igreja levando o evangelho todo a todo o mundo! Uma Igreja que esteja olhando para o futuro estará procurando renovar na adoração!

2. ORIENTADA PELO SERVIÇO E MULTIFACETADA: A Igreja do futuro redescobrirá que a koinonia (comunhão) deve incluir também a diakonia (serviço). Como uma comunidade de serviço, a Igreja deve ir ao encontro das necessidades espirituais e físicas da comunidade. Assim sendo, a congregação local que cresce forte e saudável terá um programa multi-facetado de serviço para a comunidade. Isto pode incluir instalações de jardim de infância e creche, classes para mães, ministério de solteiros, grupo de recuperação de dependentes de drogas, ministério de idiomas para sociedades multiculturais, diretores espirituais para aqueles que possuem muito tempo livre, etc. A Igreja do futuro estará servindo no mercado da vida – ou estará fora desse mercado!

3. FLEXÍVEL: Estrutura versus conteúdo é uma luta constante. Por causa do tremendos passos dados pelas mudanças tecnológicas, a Igreja necessita ser flexível. O fundamentalismo morfológico – a crença de que as estruturas devem permanecer as mesmas – destruirão muitas congregações que não são flexíveis e abertas ao futuro. As congregações que querem sobreviver necessitam ser flexíveis às novas vizinhanças e "Sitz im Leben" nas quais elas se acham!

4. O PASTOR COMO PREPARADOR: Passados são os dias quando o pastor podia fazer todas as coisas na igreja local. Não somente por causa dos grandes passos dados pelas mudanças, mas também por causa do laicato crescentemente alerta teologicamente, o papel do pastor mudará para o de treinador para muitos dos grupos de serviço e adoração da nova congregação do futuro. Isto terá um profundo efeito na educação teológica a qual deve mudar seu programa profissional de modo que prepare o novo tipo de pastor para ser um líder de serviço e não um ditador autocrático!

5. LIDERANÇA LEIGA RESPONSÁVEL: "Cada batista um missionário!" Como batistas nós amamos repetir este slogan que veio de Oncken. Mas, temos nós cumprido isto? Como estamos entrando no futuro, a liderança leiga na Igreja será decisiva. Novos profissionais trarão um nível mais alto de liderança leiga para a Igreja. As estruturas da Igreja, incluindo a liderança, devem refletir o laicato crescente da Igreja se ela prosperar.

6. A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA E A IGREJA LOCAL: Para atender as necessidades crescentes do laicato, a educação teológica deve também ir até a igreja local. Pregadores e pastores bi-vocacionais não terão o luxo de um estudo de quatro anos. Assim sendo, o seminário deve ir até as pessoas. O efeito positivo é que uma base maior de crentes alertas teologicamente darão profundidade e visão mais ampla à missão e ao alcance da Igreja.

7. DISCIPULADO E ESPIRITUALIDADE: À medida que a Igreja se move para entrar no século XXI, o discipulado será a chave. O mero ativismo não é o substituto da fé. Os grupos para estudo em profundidade da Bíblia e para oração nos lares ajudarão a atender as necessidades espirituais da próxima geração. Jesus nunca usou a palavra discipulado como um nome – ela foi sempre um verbo, "vem e segue-me!" Seguir a Jesus será sempre o objetivo da verdadeira espiritualidade e renovação da Igreja!

8. CRISTO: O CENTRO! Não importa que forma ou estrutura a Igreja terá no futuro – o centro e o conteúdo de nossa mensagem será sempre Jesus Cristo!

Em 1928, na Conferência Missionaria Mundial ocorrida em Jerusalém, a questão a respeito de como a igreja deveria tratar o secularismo foi um tema quente. As discussões não foram diferentes dos problemas de hoje! O arcebispo William Temple da Inglaterra estava pronto para reunir os pensamentos conflitantes com a poderosa afirmação: "Nossa mensagem é Jesus Cristo!"

Com certeza, nós acreditamos que o futuro pertence a Jesus Cristo. Todos os nossos pensamentos acerca da renovação da Igreja e do testemunho efetivo de Cristo no século XXI devem ser centrados em fazer Jesus Cristo conhecido e aceito como Senhor e Salvador. É para Cristo que nós apontamos ... é para Ele que devemos levar toda a humanidade!

 

Denton Lotz, o autor, é o Secretário Geral da Aliança Batista Mundial (1996)

Extraído da revista Baptist World, da Aliança Batista Mundial, vol. 43, No. 3, July/Sept 1996

Traduzido por Antonio Carlos Gonçalves Mataruna, 1997.

 

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